Eu havia acabado de acordar, tivera um sonho incrivelmente tosco, mas algo me preocupara, eu vi a mim mesmo morrendo e não acordei no momento em que morri, eu continuei ali firme e forte sentindo a dor da morte, eu podia sentir o cheiro de carne podre e o véu negro e pesado que a morte trouxe consigo, por um instante eu pode jurar ter sentido cheiro de ferro, sim puro ferro, mas não sabia ao certo, estava escuro e eu preferia não me mexer, não queria derrubar nada que pudesse estar ali no vácuo, eu sentia o buraco no meio de minha cabeça sangrar, o sangue escorria pelo meu rosto e descia pelo meu pescoço e peito e por questão de segundos eu notara que estava nu e que sentia frio, pois meus pêlos estavam um tanto eriçados, a brisa fria vinha de trás e acertava meu pescoço de forma prazerosa e se fosse mais constante ou intenso poderia me fazer ficar excitado de maneira bem fácil, mas não fiquei, lambi meus lábios rapidamente e pude sentir o gosto enferrujado de meu próprio sangue o que me deu uma anciã incrivelmente forte, mas por incrível que pareça eu continuava ali de pé, como uma estatua fria e sangüenta, eu não sentia mais aquela sensação de que havia alguém ou algo ali comigo, a brisa fria acabara e o sangue que na qual escorria congelara a ponto de queimar, foi quando resolvi me convencer a acordar.
Meus olhos abriram-se aos poucos, mas meu corpo não pode se mexer por alguns segundos, eu sabia que estava a sonhar, mesmo não gostando do que iniciara o sonho, abri a boca e bocejei, limpei meus olhos e sentei sobre a cama, a casa estava vazia ou seria silenciosa? Tanto faz. Vesti meu calção, liguei o computador e abri a janela, não demorou muito para eu perceber que havia algo de estranho, eu olhara para o céu e ele estava incrivelmente claro, mas a superfície era escura a ponto de eu não enxergar um palmo a minha frente. Dei passos para trás e voltei minha atenção ao laptop, ele estava aceso, porem somente por dentro, estava tão escuro quanto antes.
Cheguei perto de meu laptop, o mais perto possível, senti a ponta de meu nariz tocar o vidro do mesmo, mas não havia iluminação em mim, como se eu fosse uma sombra, como se o quarto fosse uma sombra, me afastei do vidro e vi que o mesmo estava manchado de algo em tom de vermelho, pude sentir o cheiro de ferrugem novamente, ele nunca fora embora, eu estava em casa, mas ele nunca fora embora, eu estava no mesmo lugar, só resolvera me mexer. A mancha no vidro era obvia, escorria sangue na mesma e a deixava ainda mais tenebrosa, apesar de ser linda mesmo feita de meu próprio sangue, meus pés estavam frios e cansativos, alisei a imagem sob o vidro, mas ela não estava mais ali, sob ele. Ela magicamente atravessara o vidro e se encontrava agora na parte de dentro do mesmo, o coração ainda escorria sangue, mas eu não, minha testa estava intacta, mas mesmo assim era tão linda, não chamativa, tão desejável, tão excitante, mas eu sabia a quão perigosa era, a quão trapaceira e fria era. Hoje ela poderia ser a melhor coisa eu possa lhe acontecer e basta uma gota a mais que ela vira a pior, uma doença, uma maldição, uma linhagem, um amor.
O dia estava claro quando acordei, tocava Panic no meu celular para me acordar, eu tinha aula em alguns minutos, era melhor eu me arrumar e tentar não vacilar, não agora, não é tempo, não é hora, mas ela vai chegar e quando chegar eu vou estar preparado, tenho flores nas mãos, lírios e rosas vermelhas.
(Não deu para citar ninguém então aqui vai, Duke, Heloisa Chata, Mari, Tigs, Rebs, Leticia, amo vocês (Y))
Mostrando postagens com marcador Cold. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cold. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 19 de março de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)
